IFFar estimula leitura e intercâmbio cultural com histórias infantis bilíngues
Em uma sala repleta de cores, papéis e lápis de cor espalhados sobre a mesa, um grupo de estudantes do IFFar - Campus Panambi finaliza mais uma obra infantil bilíngue. As páginas ganham vida com ilustrações vibrantes e personagens que contam histórias em português e inglês.
Para além do papel, essas narrativas carregam um propósito: incentivar a leitura, promover o multiletramento e conectar culturas.
Estudantes produzem livros infantis bilíngues com textos e ilustrações próprias.
O projeto de extensão Fábrica de Histórias Bilíngues começou em 2018 e, desde então, transformou-se em uma ponte entre estudantes e crianças de diferentes partes do mundo. A iniciativa envolve alunos dos cursos técnicos integrados ao ensino médio do IFFar, que escrevem, ilustram e traduzem histórias voltadas ao público infantil. Além disso, o projeto se estende à formação de educadores, promovendo oficinas de contação de histórias e capacitação para o uso da literatura como ferramenta pedagógica.
A professora Miquela Piaia, coordenadora do projeto, relembra o início da proposta e o entusiasmo dos estudantes. “Me recordo que, em 2019, quando apresentamos a proposta aos alunos, uma estudante me perguntou: ‘Teacher, a gente vai mesmo fazer um livro? De verdade? Com o nosso nome escrito lá na capa?!’. Sim, nós produzimos livros ‘de verdade’ e fizemos muito mais do que isso. Fomos além do que prevíamos no início da proposta, e muito disso se deve ao engajamento e comprometimento dos nossos alunos”, destaca.
Alunos protagonizam todas as etapas da criação literária do projeto.
Da sala de aula para o mundo
O impacto do projeto ultrapassa as fronteiras do Rio Grande do Sul. As histórias criadas pelos estudantes são distribuídas em escolas locais e também enviadas para instituições de ensino na América Latina, nos Estados Unidos e na Europa.
A internacionalização do projeto reforça o potencial da literatura como instrumento de intercâmbio cultural e de ampliação do repertório linguístico das crianças. Para Júlia Meireles Noll, estudante do curso técnico integrado em Informática, participar do projeto é uma oportunidade de unir criatividade e transformação social. "As histórias que criamos abordam temas importantes e ajudam as crianças a aprenderem inglês. É muito gratificante saber que nosso trabalho chega tão longe", afirma.
Para a assessora de Relações Internacionais do IFFar, professora Janete Arnt, o Fábrica de Histórias Bilíngues exerce um duplo impacto no processo de internacionalização da instituição. “Sob a ótica da internacionalização, que envolve tanto a aprendizagem de diferentes línguas quanto a troca cultural e a capacidade de se colocar no lugar do outro, o projeto desenvolve habilidades linguísticas em português e inglês, com ênfase no inglês como língua franca, estabelecendo a base necessária para a comunicação com o outro”, explica.
Além dos livros, estudantes encenam histórias para crianças em escolas.
A professora Miquela ressalta que a iniciativa também promove uma formação integral dos jovens. “O projeto tem demonstrado que a produção literária pode ser um instrumento poderoso de intercâmbio cultural, promovendo não apenas o ensino de idiomas, mas também o entendimento de diferentes perspectivas culturais. Nossos estudantes puderam ver suas criações ganhando vida em diferentes contextos e perceberam o impacto de suas narrativas na formação de leitores em diversas partes do mundo”, observa.
Ainda segundo Janete, para além do desenvolvimento linguístico, o projeto também contribui para valores essenciais no cenário global atual. “De forma intimamente ligada ao conceito de linguagem como prática social, o Fábrica aborda temas universais como amizade, empatia e solidariedade, promovendo o entendimento, o respeito à diversidade e a valorização das diferentes perspectivas culturais. Nos livros da Fábrica, aprende-se sobre convivência com a diferença, com histórias que têm o potencial de ampliar a visão de mundo do leitor, o que reflete um dos princípios fundamentais da internacionalização”, complementa.
Um novo olhar sobre a leitura
O processo de criação envolve uma série de etapas que vão além do ato de escrever histórias. Os estudantes participam de oficinas de escrita criativa, ilustração, tradução, design gráfico e até expressão corporal. Isso porque, além dos livros físicos e digitais, as histórias são dramatizadas e apresentadas em escolas, tornando a experiência literária ainda mais envolvente para os futuros leitores.
Júlia também destaca como o projeto contribuiu para seu desenvolvimento pessoal: “O Fábrica me proporcionou espaço para soltar minha criatividade, seja nos livros, nas encenações ou nas oficinas. Aprendi muito sobre empatia, respeito e como a literatura pode impactar a comunidade”, relata.
Projeto incentiva leitura, multiletramento e conecta culturas pelo mundo.
Formação de leitores e educadores
Além da produção dos livros, o Fábrica de Histórias Bilíngues também tem um compromisso com a formação de professores da educação infantil e do ensino fundamental. Oficinas de contação de histórias são oferecidas para capacitar educadores no uso da literatura como ferramenta de ensino e desenvolvimento infantil.
Para a professora Miquela, é essencial valorizar o protagonismo dos estudantes nesse processo. “Nossos alunos mostram-se preocupados com questões sociais e políticas. São muitas vozes querendo falar, à espera de serem ouvidas. Neste projeto, são ouvidas através da arte. A produção literária permite que eles exerçam um papel ativo na construção do próprio aprendizado, saindo da plateia para ganhar os palcos da escola, da vida e da sociedade”, finaliza.
O projeto segue em constante evolução, com novas histórias sendo produzidas a cada ano e um impacto crescente na comunidade. Se a leitura abre portas para novos mundos, os alunos do IFFar que participam do Fábrica de Histórias Bilíngues já deixaram suas pegadas em muitos deles – e continuam escrevendo o futuro, uma história por vez.
Tenha acesso aos livros publicados pelo projeto Fábrica de Histórias Bilíngues
Secom
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