Jogo educativo desenvolvido no IFFar incentiva consciência financeira entre crianças
Em uma iniciativa que alia formação acadêmica, inovação pedagógica e responsabilidade social, o Instituto Federal Farroupilha (IFFar) – Campus São Vicente do Sul lançou o jogo educativo “Caminhos da Grana”. O material foi desenvolvido por cerca de 25 estudantes da turma ADM 11 do Curso de Bacharelado em Administração, entre os meses de agosto e dezembro de 2025, como parte da Prática Profissional Integrada (PPI) do curso.
O jogo de tabuleiro é voltado à alfabetização financeira de estudantes do Ensino Fundamental II, com foco em crianças entre 10 e 13 anos. A proposta busca contribuir para a formação de jovens mais conscientes e críticos em relação ao uso do dinheiro, ao mesmo tempo em que proporciona aos acadêmicos uma experiência prática, interdisciplinar e alinhada a demandas sociais reais.
De acordo com o professor Vinícius Radetzke da Silva, coordenador da iniciativa, o projeto surgiu a partir da crescente relevância da educação financeira no contexto educacional brasileiro. “A Base Nacional Comum Curricular já aponta a educação financeira como um tema essencial desde as primeiras etapas da escolarização. O ‘Caminhos da Grana’ se alinha a essa diretriz e busca contribuir para o fortalecimento da formação cidadã”, destaca o docente.
Na avaliação do professor, a Prática Profissional Integrada possibilita aproximar a formação acadêmica de situações reais enfrentadas pela sociedade e pelo mercado de trabalho. Nesse contexto, o jogo simula situações cotidianas relacionadas à gestão de mesada, decisões de consumo, poupança e investimentos fictícios, transformando conceitos das áreas de Matemática Financeira, Contabilidade, Direito, Economia e Teorias Organizacionais em desafios lúdicos e acessíveis ao público infantil.
Durante a dinâmica, os jogadores assumem o papel de estudantes que administram uma “mesada” fictícia, sorteiam cartas de eventos e tomam decisões financeiras ao longo do percurso. A mecânica utiliza dados e peões para simular “meses” de gestão financeira, com casas que apresentam eventos positivos e negativos, desafios de conhecimento e situações relacionadas aos direitos do consumidor e ao planejamento financeiro.
Desenvolvimento, resultados e perspectivas do jogo
A construção do “Caminhos da Grana” foi um esforço colaborativo e interdisciplinar, envolvendo seis disciplinas do curso de Administração: Matemática Financeira, Estruturas das Demonstrações Contábeis, Metodologia Extensionista, Direito, Economia e Teorias Organizacionais II. Além do professor Vinícius Radetzke da Silva, participaram da orientação do projeto os docentes Rogério Anése, Núvea Kuhn, Fábio Rijo, Cristiano Silveira e Vanessa Almeida.
O desenvolvimento do jogo ocorreu em diferentes etapas. Em agosto, foi realizado o diagnóstico e o planejamento, com contato inicial com escolas do município e a construção de instrumentos de interação com professores e alunos. Entre setembro e outubro, os estudantes elaboraram o protótipo do jogo, incluindo cartas, cédulas de dinheiro, tabuleiro, regras e peões, além de realizarem testagens internas. Em novembro, ocorreu a aplicação piloto na Escola Municipal de Ensino Fundamental Dr. Ayres Cecconi, em São Vicente do Sul, possibilitando ajustes a partir da experiência prática. O projeto foi concluído em dezembro, com a apresentação final, a elaboração de relatório e a entrega do material didático.
Segundo os criadores, a metodologia adotada garantiu que o jogo fosse pedagogicamente consistente e alinhado às necessidades do público-alvo, utilizando estratégias de coleta de dados qualitativos e quantitativos, como questionários e observação participante.
A efetividade do jogo foi evidenciada pelo engajamento dos estudantes que participaram da aplicação piloto, conforme apontam os relatos registrados no relatório final do projeto. Lucas, de 12 anos, destacou o caráter educativo da proposta ao afirmar que o jogo “ajuda a aprender a lidar com o dinheiro no dia a dia”.
Já Bernardo, também de 12 anos, ressaltou a importância de compreender que as decisões financeiras envolvem riscos, observando que a atividade contribui para aprender que nem sempre se ganha, e que lidar com perdas também faz parte da educação financeira.
Entre as possibilidades de aprimoramento, o relatório aponta a perspectiva de uma digitalização básica do jogo, que poderá ser pensada futuramente. Como potencialidade, o material didático desenvolvido apresenta condições de ser replicado em outras instituições de ensino, fortalecendo o papel do IFFar como referência em inovação educacional e como agente transformador na promoção da educação financeira desde as etapas iniciais da formação escolar.



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